Qui Março 11 , 2010
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Saudades sob as unhas


Ainda trago sob as unhas o teu vermelho
Castigado por tua sombra, vago quase impune
Nos termos daquela nossa vontade carnal
era teu escravo, teu instrumento de suor
Acabou...

Ainda respiro o teu último suspiro
num hálito gélido de convite à morte
Escapei de tua crueldade disfarçada,
vestida de paixão e prazer

Ainda tenho fios de cabelo em meu corpo
impregnados com o teu rosto
Vejo teus olhos na transformação
Do brilho, ao opaco silencioso do corte final
Acabou...

Ainda sinto teu cheiro dos momentos de prazer
Como uma fêmea no cio a implorar por carícias
Olor dos desejos da carne
Os quais te consumiram por inteiro.

Ainda levo em meus lábios o quente de seu corpo
Num contraste grotesco entre o passado e o presente
O calor se esvai dentre minhas mãos
Os toques de desejos substituídos pelo pavor

Acabou.

A transformação para escravidão de um dono maior
Seu corpo jaz pelos pecados do prazer
A vida se esvai entre minhas mãos.
E seu espírito, escravo da morte.

 

* Parceria de Ana Carolina Giorgion e M. D. Amado

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