Lágrimas sob a lápide
Tive seu corpo em minhas mãos, em minha boca
Era como veludo carmim, sabor licor de chocolate
Desejos e pecados misturados sob o lençol
Tive comigo sua língua percorrendo minha pele
Invadindo minhas vontades, molhando os pudores
Hoje ela é sede de segredos infames
Fome de mãos e cabelos molhados
É cheiro de sexo durante a madrugada de lembranças
Nas mãos hoje tenho apenas a saudade
Os toques em sua pele fazem a volta no tempo
O corpo apodrecido jaz sob a lápide cinza de seus olhos
Os olhos já não me hipnotizam mais
Ela se foi e levou meu desejo supremo
Levou o sexo que trazia vibrações e arrepios
Me resta o sexo pelo sexo, pela vontade do nada
Sofro com os acordes da música em soluços no travesseiro
Ouço os tons de sua voz em gemidos de prazer e carinho
Sons que não voltam mais... Hoje são pios de coruja
Corvos talvez...
Do outro lado ela se faz errante
Seguindo sua estrada vivendo o inconstante
Seu olhar ja não possui mais brilho
Seu toque de tão doce tornara-se amargo
Seu semblante sutil deixara de existir
Ela se perdeu no meio da passagem
Não se vê mais como uma vida
Subentende-se que já não mais habita este corpo tão belo
Resgata da memória a sensação de fracasso
Sua existência que outrora era constante
agora passara a ser apenas uma triste recordação
Debulhou-se em lágrimas ao se deparar com a sua fraqueza
Ela sentia cada sentir triste do seu amor
Percebia a sensação constante de vazio que assombrava aquele coração que tanto a ama
Sucumbia a dor em cada lágrima derramada em vosso nome
Deitava-se ao seu lado na tentativa frustrante de consolo
Tocava sua pele sem nada sentir
O olhava nos olhos na tentativa de se fazer notar
Buscava através do sussurro contar-lhe que jamais o havia deixado
Mas de tudo o nada era o resultado
E seus sonhos se perderam na imensidão da eternidade...
* Parceria de Kelly Bourg e M. D. Amado
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