Vejamos o que sai dessa chuva que cai aqui. São horas em que meu corpo expulsa sua tristeza. Tons de transparência invadem meus olhos e gotas de conforto e esperança batem na calçada. A alma pesada se arrasta até o pátio. Quero a chuva afogando minhas dores. Livro meu corpo dessas pesadas vestimentas e danço nu pela rua, enquanto me chamam de louco.
Sinto meu espÃrito querendo sair. Não é licença poética... Ele sai...
Durante anos fiquei preso dentro de mim. Não podia me dar ao luxo de receber essa chuva. Minha pele se dissolveu em segundos. Chuva ácida... Os homens mataram o planeta.
Ano de 2098...
Meu corpo agora é pasta derretida. De carne e sangue, sobraram apenas os ossos totalmente limpos.
Sorrio do alto... Estou livre de meus pesadelos. Sou livre para voar a outros mundos. Livre de mim mesmo.
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