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Corpo Seco (miniconto)

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- Sabia que eu tenho medo de viajar a noite?
- É... O risco é sempre maior. Muita gente dormindo ao volante.
- Não querido. Não é por isso que tenho medo.
- E por que é então? Medo de fantasma? – riu debochadamente.
- Não ria meu bem... Não ria. Ele pode aparecer de repente, numa curva, ou atrás de uma pedra, ou ainda pode pular de um barranco.
- Ele quem querida? Que bobagem é essa?
- Não é bobagem. Meu avô morreu num acidente de carro há alguns anos. Meu primo estava dirigindo. Ele jura que o Corpo Seco apareceu diante dele. Com o susto ele perdeu o controle do carro e caíram num barranco.
- Corpo Seco? Isso era cachaça... Cachaça da bo...

O som dos pneus se arrastando pelo asfalto foi ouvido a quase um quilômetro daquela curva. A pancada foi tão forte que atirou os corpos para fora do carro, mesmo atrelados ao cinto de segurança. Antes de morrer, o motorista em seu último suspiro, viu agachado diante de sua esposa, um homem velho, de pele completamente enrugada, bebendo do sangue que escorria de seu corpo

 

Miniconto escrito especialmente para o Terrozine nº 6 - Especial Folclore



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