Vida desprezível
Corpo esviscerado, caído ao chão.
Banhado pela sombra do crepúsculo,
agora não passa de um punhado de carne
coberto de moscas famintas, vermes malditos…
benditos talvez.
Beco cheirando à morte. Infestando a vida.
Sorriso forçado, de um rosto desfigurado,
mostrando a condição ignóbil de um ser.
Ser… Não ser. Não há questão.
Teve sua chance. Teve sua vida. Jogou Fora.
Fora do corpo, agora quase se esvaindo,
Um espírito errático, perdido no tempo,
buscando respostas no passado.
Uma rápida incursão ao inferno.
Lamúrias de almas irmãs.
Um olhar sobre sua carcaça e o desejo
de sua alma ser mais resistente que seu corpo.
Lágrimas invisíveis. Olhos apagados.
Uma luz distante. O fogo mais próximo.
Se entregar?
Vida desprezível. Resto de nada.
Originalmente escrito em 26 de janeiro de 2006
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