Tragam-me as Fadas
Degusta minha pele como sobras de comida
Esfola o couro com a unha comprida... Suja
Teu cuspe, ácido, queima fundo até os nervos
O hálito podre tem cheiro de pecado e sal
Me tomou
Levou-me ao seu encontro, de arrasto
Fez de meu corpo um tabuleiro de jogo perdido
Almas ao redor, escuridão e fedor
Sua morada não é das mais puras
Gargantas cortadas, olhos em chamas
Nada disso é pior que sua voz gutural
Tortura minha mente vinte e quatro horas
Listando todos os pecados que cometi
Detalhando todas as mortes que causei
Punição inglória... Amargo tom de vermelho
Sentado sobre meu sexo
Não há prazer
Queima, corta e esfola
São rasgos de carne
Lascas de uma vida de estupros
Hoje me desfaço em restos humanos
Hoje... Amanhã... Eterno
A língua venenosa invade minha boca
Chupa meu sangue e meu espírito
Cospe o ácido misto... Meus fluídos
Gozo meus podres
Orgasmo de vida inútil
Clímax sem fim
Inferno de unhas pintadas
De roupas deixadas e rostos espancados
Sou eu, frio na pedra quente
Deitado nas emoções despercebidas
Fechando os olhos para acordar as fadas
De asas transparentes e olhos esverdeados
Pesadelo e sonho, unidos por meus gritos
Abro os olhos e durmo com meu diabo
