Alma em Sépia
Metamorfose de sombras
Densas, pueris
Fincadas em tua alma, elas gritam
Vísceras retráteis
Amargo sabor da bílis
Afunda teus olhos na pior pintura
Retrato de uma vida de erros
Pois eles lhe cortam mais que a faca
Queimam como o fogo de sua morada
A risada é castigo de dor
Foi brisa no inferno
O vento agora lhe apaga
Curte a pele no fluído negro das covas reviradas
Energia intensa da morte que o traga
Vício eterno de presença da fé
Sorria infeliz, mostre teus dentes
Podres como teu peito os expele
Sorria demônio, rasgue os lábios
Afogue-se na lama da felicidade fútil
Corra...
Essa mutação lhe consome a alma
Corrói a ponta de seu cajado
Não adianta orar, pois teu pai lhe cuspiu na face
Anjo caído é como te chamam
Injustiçado em tua fama
És apenas o retrato do ser humano
Em sépia
Negativo que nunca se revela
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