01 Novembro 2009
M. D. Amado
Faturando com a morte (miniconto)
No interior do Ceará, andar com três pessoas em uma moto é algo bem comum, pode-se dizer. E foi assim que Nivia, seu namorado “morzin” e seu sobrinho saíram numa tarde de sábado. Porém ao virar em uma rua movimentada, a combinação: moto com três + areia na pista + fechada de um carro, os levou para o chão. Mais especificamente, caindo na calçada da funerária.
Aristides, dono da funerária pensou logo em faturar, torcendo pela fatalidade à sua porta. Por instinto, chegou a pegar a fita métrica pra medir os possíveis defuntos. Mas para sua infelicidade, não seria daquela fez que ia voltar a faturar, depois de dois meses sem uma morte sequer na cidade. Nivia limpou a roupa e olhou torto para a cara de decepção de Aristides. Os três subiram na moto novamente e partiram.
Revoltado, o mórbido empresário resolveu fechar a loja e ir para casa. Baixou as portas de aço e se agachou para colocar a tranca. Ouviu o som familiar de pneus derrapando na areia...
Pobre Aristides... Acabou sendo faturado pelo concorrente.
* Dedicado a Nívia Gomis e seu "morzin"
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