Eu nunca deveria ter saído da escuridão
Eu nunca deveria ter saído da escuridão. Não foi por falta de aviso que eu vim parar num mundo que não me pertence. Todos eles me avisaram que aqui não era meu lugar e eu teimei. Teimei e fugi do meu canto. Deixei pra trás a fonte de onde tirava minhas forças para buscar algo que sempre desejei e que acabou por me derrotar de vez.
Não foi fácil subir por todos aqueles caminhos sinuosos em torno do vale. Foram muitos tombos, muitas quedas e ferimentos. Enquanto eu tentava subir, muitos outros eram jogados morro a baixo, muitas vezes caindo sobre mim e me fazendo voltar dezenas, por vezes centenas de passos. Ninguém quis me ajudar. E não foi por falta de ter alguém para fazê-lo. Inúmeras vezes passaram por mim, tropas inteiras de guardiões que desciam em busca de outros perdidos no vale. Eles passavam imponentes, em suas carruagens negras, com tochas incandescentes, gritando e urrando aos quatro cantos. Traziam com eles enormes cães negros e extremamente ferozes, babando e rosnando o tempo todo. Com dentes grandes e muito brancos, assustavam qualquer um que se atrevesse a olhar para eles. Algumas horas depois, eu ouvia novamente o barulho das carruagens, que então voltavam carregando figuras mórbidas, praticamente disformes. Eu acenava, gritava, clamava por ajuda, mas eles apenas me olhavam com desdém. Isso quando não me chicoteavam e gritavam que eu deveria voltar para o vale.
- Seu lugar é lá embaixo. Não seja tolo! – gritavam sem ao menos diminuir sua marcha.
Eu nunca deveria ter saído de lá. Eu tinha meus vícios, minhas dores, minhas lembranças das atrocidades que cometi no passado. O gosto do sangue de cada coração que arranquei com minhas próprias mãos e depois lambi. Nunca optei por apenas transforma-los. Minha filosofia era a seguinte: um vampiro a mais é igual a dezenas de pescocinhos virgens a menos.
Lá onde estava, eu podia ouvir os gritos de pavor que eles soltavam quando eu me transformava. Eu odiava aqueles mortais. Eram inúteis, estúpidos e não respeitavam o seu próprio habitat. Matei mesmo! Matei muitos deles e faria tudo novamente. Me delicio, ou melhor, me deliciava com minhas lembranças e com aqueles corações todos jogados aos meus pés. Era meu canto favorito. Eu não devia ter abandonado o vale.
A passagem para a superfície foi dolorosa. Muita coisa fica para trás durante a passagem. Muita coisa se perde quando chegamos até a luz. Mas de tudo o que perdi, o pior foi minha liberdade. Minha facilidade de ter todas aquelas sensações quando eu quisesse. Mas minha sede por mais sangue fresco acabou me tirando tudo. A gana em querer ver mais corpos desses mortais jogados aos meus pés, acabou com todas aquelas sensações. Eu achei que iria voltar a matar. Que iria voltar a ouvir os berros e enxergar o terror nos olhos das minhas vítimas. Eu preferiria mil vezes ter o peito atravessado por uma estaca novamente, do que me submeter a tudo isso que está acontecendo agora.
Quando aquela estaca atravessou meu couro e atingiu em cheio meu coração, a dor foi muito forte, mas passou em questão de minutos. Dias depois eu já estava no vale, convivendo com minhas vítimas, com seus corações aos meus pés e a orquestra de gritos e gemidos incessantes dia e noite. Daquele dia em diante, o cheiro de morte pelo vale tornou-se meu aroma favorito. A terra úmida e fétida, era o meu leito e a névoa que cegava a todos, era meu manto. Mas eu queria mais... Eu queria muito mais. Minhas garras queriam dilacerar mais corpos. Sentir a carne ceder por entre elas. Queria sentir meus caninos furando e rasgando a pele do pescoço de várias mulheres.
No entanto eu nunca poderia imaginar que meus planos seriam bruscamente interrompidos e meu fim, se é que posso chamar a isso de fim, seria este. Fui enganado e derrotado por uma estúpida mortal. Uma reles criatura covarde, que me atacou pelas costas enquanto eu não gozava de minha plena forma natural.
***
Na noite em que a encontrei, a lua travava uma briga incansável com as nuvens, insistindo em querer aparecer em toda sua plenitude. Os momentos de luminosidade natural, se revesavam com trechos de escuridão, que eram timidamente amenizados pelos postes espalhados pelos becos. Alguns, já quase sem óleo, mal iluminavam ao seu redor. Como sempre fazia, eu estava escondido num beco, caminho mais curto para que as prostitutas pudessem deixar seus pulgueiros e voltar ao movimento, para arrumar mais clientes. O barulho do salto sobre as pedras do calçamento era o sinal para que eu me preparasse. Pode parecer estranho ouvir um vampiro dizer isto, mas – e que Drácula me perdoe – quando olhei pela quina do muro, de relance, pensei ter visto um anjo. Era a mulher mais linda que eu já tinha visto e desejado. Olhos amendoados, um rosto de linhas delicadas, pele perfeita e uma boca que faria inveja a qualquer vampira. Tinha mãos pequenas e muito bonitas, que eu pude reparar quando resolvei me aproximar de uma forma completamente diferente da habitual.
Ela se assustou com meu aparecimento em meio a penumbra, mas logo se recompôs. Já estava acostumada com abordagens assim. Homens que não podiam colocar em risco sua reputação costumavam fazer o mesmo que eu. Se escondiam nas sombras até que passasse por ali, a sua puta favorita. A diferença é que minhas intenções eram outras, bem diferentes.
Como disse, eu não a abordei como de costume, atacando-a sem que pudesse ter tempo de reagir ou gritar. Me aproximei e fingi querer apenas um noite de sexo. Foi ai que peguei em suas mãos e beijei-as. Ela sorriu e seu sorriso por um instante me fez esquecer de quem eu era e o que estava desejando fazer com ela. Me deu o braço e tentou me levar em direção a espelunca em que recebia seus clientes, mas eu a interrompi. Disse que ela ia para a minha casa e seria tratada com nunca fora antes.
Tomamos um vinho, conversamos um pouco ao pé da lareira e ela foi me encantando cada vez mais. Me contava sobre sua vida, sobre suas decepções e já começava a dar sinais de embriagues, com a fala um pouco arrastada. E no entusiasmo, ela foi tirando a roupa, enquanto eu a observava, sentado em minha poltrona. Não me movi. Apenas fiquei olhando e ficando excitado. Cheguei a pensar em não levar a diante meus planos e toma-la como “esposa”. Aquele corpo era simplesmente incrível. Tudo perfeito. Pernas, coxas, seios e nádegas. Simplesmente linda! Mas eu não poderia deixar que uma aventura passasse por cima de minha sede por sangue. Olhei seu pescoço e me vi sugando até a última gota de sangue que estivesse em suas veias. E depois... Eu tinha que segurar seu coração em minhas mãos. E foi imaginando essa cena, é que me excitei ainda mais. Ela percebeu o volume em minhas calças e se colocou de frente pra mim. Eu nunca havia sido chupado daquela forma. Ela realmente sabia como fazer. Claro que não a interrompi e aquilo foi me deixando cada vez mais cheio de desejo. Eu sentia que a qualquer momento, junto com o orgasmo, eu me transformaria. E foi exatamente o que aconteceu...
Quando gozei, meus dentes e garras já se mostravam afiados. Segurei-a pelos cabelos e fiz com que se levantasse junto comigo. Seus olhos arregalados de me ver como realmente sou, pareciam duas pedras preciosas, tamanho o brilho e a imobilidade. Estava pronto para atacá-la, quando uma lágrima surgiu em seu rosto. Tentei ignorar, como sempre ignorei, mas alguma coisa me fez parar. E foi ai que ela me fez um pedido.
Disse que a noite tinha sido maravilhosa e que há muito tempo não se divertia tanto e que nunca havia se interessado por nenhum homem. Naquele momento, ela disse ter aceitado seu destino, pois já tinha perdido algumas amigas da mesma forma e sabia que não poderia lutar. Então ela passou a mão no meu rosto e pediu que eu a beijasse uma vez, uma única vez, com carinho e que depois poderia fazer o que quisesse com ela. Aquele olhar, aquela voz e seu corpo nu sob a luz da Lua cheia, me hipnotizaram e então recolhi minhas garras e meus dentes para atender aquele último pedido.
Foi o beijo mais gostoso de toda a eternidade, mas também foi o último até então. Ela cravou um punhal de prata nas minhas costas, enquanto eu estava de olhos fechados. Eu até mesmo tentei soltar uma risada, pois punhais de prata teriam efeito apenas com aqueles lupinos idiotas, no entanto a sensação de que meu corpo queimava, fez com que eu me lançasse para trás e então ela deu mais um golpe, dessa vez bem no meio do peito.
Não sei o que havia naquele punhal, mas não podia ser somente a prata. Alguma magia ou algo muito poderoso, que me fez congelar no tempo. Também não entendi como, ou de onde ela conseguiu pegar aquilo sem que eu notasse. Fiquei gelado. Vi a morte novamente ao meu lado, mas dessa vez ela não me deu a mão. Ficou ali, parada me olhando e esperando que eu aceitasse o fato de ter sido ludibriado por uma prostituta desqualificada. Mas eu não aceitei. E não aceito. Nunca aceitarei.
Vi meu corpo sendo decomposto, vi cada pedra cair, presenciei a tomada de minha residência, acompanhei a vida de várias gerações de uma família que por ali se instalou. E mesmo agora, centenas de anos depois, fico aqui, preso a essas paredes, nesse quarto imundo e fétido de uma construção em ruínas, que outrora fora um dos mais belos castelos de toda a Europa. E todos os dias, eu vejo seu corpo nu e desejo o seu coração em minhas mãos.
Não foi fácil subir por todos aqueles caminhos sinuosos em torno do vale. Foram muitos tombos, muitas quedas e ferimentos. Enquanto eu tentava subir, muitos outros eram jogados morro a baixo, muitas vezes caindo sobre mim e me fazendo voltar dezenas, por vezes centenas de passos. Ninguém quis me ajudar. E não foi por falta de ter alguém para fazê-lo. Inúmeras vezes passaram por mim, tropas inteiras de guardiões que desciam em busca de outros perdidos no vale. Eles passavam imponentes, em suas carruagens negras, com tochas incandescentes, gritando e urrando aos quatro cantos. Traziam com eles enormes cães negros e extremamente ferozes, babando e rosnando o tempo todo. Com dentes grandes e muito brancos, assustavam qualquer um que se atrevesse a olhar para eles. Algumas horas depois, eu ouvia novamente o barulho das carruagens, que então voltavam carregando figuras mórbidas, praticamente disformes. Eu acenava, gritava, clamava por ajuda, mas eles apenas me olhavam com desdém. Isso quando não me chicoteavam e gritavam que eu deveria voltar para o vale.
- Seu lugar é lá embaixo. Não seja tolo! – gritavam sem ao menos diminuir sua marcha.
Eu nunca deveria ter saído de lá. Eu tinha meus vícios, minhas dores, minhas lembranças das atrocidades que cometi no passado. O gosto do sangue de cada coração que arranquei com minhas próprias mãos e depois lambi. Nunca optei por apenas transforma-los. Minha filosofia era a seguinte: um vampiro a mais é igual a dezenas de pescocinhos virgens a menos.
Lá onde estava, eu podia ouvir os gritos de pavor que eles soltavam quando eu me transformava. Eu odiava aqueles mortais. Eram inúteis, estúpidos e não respeitavam o seu próprio habitat. Matei mesmo! Matei muitos deles e faria tudo novamente. Me delicio, ou melhor, me deliciava com minhas lembranças e com aqueles corações todos jogados aos meus pés. Era meu canto favorito. Eu não devia ter abandonado o vale.
A passagem para a superfície foi dolorosa. Muita coisa fica para trás durante a passagem. Muita coisa se perde quando chegamos até a luz. Mas de tudo o que perdi, o pior foi minha liberdade. Minha facilidade de ter todas aquelas sensações quando eu quisesse. Mas minha sede por mais sangue fresco acabou me tirando tudo. A gana em querer ver mais corpos desses mortais jogados aos meus pés, acabou com todas aquelas sensações. Eu achei que iria voltar a matar. Que iria voltar a ouvir os berros e enxergar o terror nos olhos das minhas vítimas. Eu preferiria mil vezes ter o peito atravessado por uma estaca novamente, do que me submeter a tudo isso que está acontecendo agora.
Quando aquela estaca atravessou meu couro e atingiu em cheio meu coração, a dor foi muito forte, mas passou em questão de minutos. Dias depois eu já estava no vale, convivendo com minhas vítimas, com seus corações aos meus pés e a orquestra de gritos e gemidos incessantes dia e noite. Daquele dia em diante, o cheiro de morte pelo vale tornou-se meu aroma favorito. A terra úmida e fétida, era o meu leito e a névoa que cegava a todos, era meu manto. Mas eu queria mais... Eu queria muito mais. Minhas garras queriam dilacerar mais corpos. Sentir a carne ceder por entre elas. Queria sentir meus caninos furando e rasgando a pele do pescoço de várias mulheres.
No entanto eu nunca poderia imaginar que meus planos seriam bruscamente interrompidos e meu fim, se é que posso chamar a isso de fim, seria este. Fui enganado e derrotado por uma estúpida mortal. Uma reles criatura covarde, que me atacou pelas costas enquanto eu não gozava de minha plena forma natural.
***
Na noite em que a encontrei, a lua travava uma briga incansável com as nuvens, insistindo em querer aparecer em toda sua plenitude. Os momentos de luminosidade natural, se revesavam com trechos de escuridão, que eram timidamente amenizados pelos postes espalhados pelos becos. Alguns, já quase sem óleo, mal iluminavam ao seu redor. Como sempre fazia, eu estava escondido num beco, caminho mais curto para que as prostitutas pudessem deixar seus pulgueiros e voltar ao movimento, para arrumar mais clientes. O barulho do salto sobre as pedras do calçamento era o sinal para que eu me preparasse. Pode parecer estranho ouvir um vampiro dizer isto, mas – e que Drácula me perdoe – quando olhei pela quina do muro, de relance, pensei ter visto um anjo. Era a mulher mais linda que eu já tinha visto e desejado. Olhos amendoados, um rosto de linhas delicadas, pele perfeita e uma boca que faria inveja a qualquer vampira. Tinha mãos pequenas e muito bonitas, que eu pude reparar quando resolvei me aproximar de uma forma completamente diferente da habitual.
Ela se assustou com meu aparecimento em meio a penumbra, mas logo se recompôs. Já estava acostumada com abordagens assim. Homens que não podiam colocar em risco sua reputação costumavam fazer o mesmo que eu. Se escondiam nas sombras até que passasse por ali, a sua puta favorita. A diferença é que minhas intenções eram outras, bem diferentes.
Como disse, eu não a abordei como de costume, atacando-a sem que pudesse ter tempo de reagir ou gritar. Me aproximei e fingi querer apenas um noite de sexo. Foi ai que peguei em suas mãos e beijei-as. Ela sorriu e seu sorriso por um instante me fez esquecer de quem eu era e o que estava desejando fazer com ela. Me deu o braço e tentou me levar em direção a espelunca em que recebia seus clientes, mas eu a interrompi. Disse que ela ia para a minha casa e seria tratada com nunca fora antes.
Tomamos um vinho, conversamos um pouco ao pé da lareira e ela foi me encantando cada vez mais. Me contava sobre sua vida, sobre suas decepções e já começava a dar sinais de embriagues, com a fala um pouco arrastada. E no entusiasmo, ela foi tirando a roupa, enquanto eu a observava, sentado em minha poltrona. Não me movi. Apenas fiquei olhando e ficando excitado. Cheguei a pensar em não levar a diante meus planos e toma-la como “esposa”. Aquele corpo era simplesmente incrível. Tudo perfeito. Pernas, coxas, seios e nádegas. Simplesmente linda! Mas eu não poderia deixar que uma aventura passasse por cima de minha sede por sangue. Olhei seu pescoço e me vi sugando até a última gota de sangue que estivesse em suas veias. E depois... Eu tinha que segurar seu coração em minhas mãos. E foi imaginando essa cena, é que me excitei ainda mais. Ela percebeu o volume em minhas calças e se colocou de frente pra mim. Eu nunca havia sido chupado daquela forma. Ela realmente sabia como fazer. Claro que não a interrompi e aquilo foi me deixando cada vez mais cheio de desejo. Eu sentia que a qualquer momento, junto com o orgasmo, eu me transformaria. E foi exatamente o que aconteceu...
Quando gozei, meus dentes e garras já se mostravam afiados. Segurei-a pelos cabelos e fiz com que se levantasse junto comigo. Seus olhos arregalados de me ver como realmente sou, pareciam duas pedras preciosas, tamanho o brilho e a imobilidade. Estava pronto para atacá-la, quando uma lágrima surgiu em seu rosto. Tentei ignorar, como sempre ignorei, mas alguma coisa me fez parar. E foi ai que ela me fez um pedido.
Disse que a noite tinha sido maravilhosa e que há muito tempo não se divertia tanto e que nunca havia se interessado por nenhum homem. Naquele momento, ela disse ter aceitado seu destino, pois já tinha perdido algumas amigas da mesma forma e sabia que não poderia lutar. Então ela passou a mão no meu rosto e pediu que eu a beijasse uma vez, uma única vez, com carinho e que depois poderia fazer o que quisesse com ela. Aquele olhar, aquela voz e seu corpo nu sob a luz da Lua cheia, me hipnotizaram e então recolhi minhas garras e meus dentes para atender aquele último pedido.
Foi o beijo mais gostoso de toda a eternidade, mas também foi o último até então. Ela cravou um punhal de prata nas minhas costas, enquanto eu estava de olhos fechados. Eu até mesmo tentei soltar uma risada, pois punhais de prata teriam efeito apenas com aqueles lupinos idiotas, no entanto a sensação de que meu corpo queimava, fez com que eu me lançasse para trás e então ela deu mais um golpe, dessa vez bem no meio do peito.
Não sei o que havia naquele punhal, mas não podia ser somente a prata. Alguma magia ou algo muito poderoso, que me fez congelar no tempo. Também não entendi como, ou de onde ela conseguiu pegar aquilo sem que eu notasse. Fiquei gelado. Vi a morte novamente ao meu lado, mas dessa vez ela não me deu a mão. Ficou ali, parada me olhando e esperando que eu aceitasse o fato de ter sido ludibriado por uma prostituta desqualificada. Mas eu não aceitei. E não aceito. Nunca aceitarei.
Vi meu corpo sendo decomposto, vi cada pedra cair, presenciei a tomada de minha residência, acompanhei a vida de várias gerações de uma família que por ali se instalou. E mesmo agora, centenas de anos depois, fico aqui, preso a essas paredes, nesse quarto imundo e fétido de uma construção em ruínas, que outrora fora um dos mais belos castelos de toda a Europa. E todos os dias, eu vejo seu corpo nu e desejo o seu coração em minhas mãos.
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