Banner

Flores de Pano

(1 vote)



* Este conto foi um presente de aniversário para Celly Borges

 

Ela o conheceu algumas semanas antes do seu aniversário. Uma bonita e forte amizade surgiu desde as primeiras palavras trocadas. Descobriram-se cúmplices no gosto  pelas escritas e ele prometeu dar-lhe alguns livros de presente. Na manhã de uma quinta-feira fria, ela recebeu em sua casa uma caixa com seus presentes. Além dos livros, uma boneca de pano, com um vestido cheio de detalhes na cor lilás. Depois de abraçar a boneca e passar os olhos rapidamente nos livros recebidos, ela lhe mandou uma mensagem de agradecimento. Algum tempo depois ele perguntou, também através de mensagem no celular, se ela já teria escolhido um nome para a boneca. Sua resposta foi imediata. Disse que não. Que gostaria que ele a ajudasse. Depois de brincarem a respeito da falta de criatividade dele em querer batizar a boneca com o nome dela, e depois com o dele no feminino, ele sugeriu que ela se chamasse Flor, em homenagem as trocas de flores virtuais de ambos pela internet.

Flor. Passou a ser esse o nome da bonequinha de pano de Gisele, uma garota que estava prestes a fazer 26 anos e que ainda mantinha ares de menina. Viciada em livros e amante de um bom e pesado rock and roll, Gisele vivia em seu mundo particular de fantasias e letras. Mergulhava nos livros com a vontade e o sonho de quem gostaria de mudar o mundo real, tornando uma extensão de cada história lida. Seus olhos azuis eram as janelas para seus devaneios literários e suas mãos, os portais que avançavam as páginas das dimensões paralelas que criava em sua imaginação.
Naquela manhã um sorriso a mais começou a fazer parte de seu rosto. Flor chegara para acompanhá-la em suas aventuras. Marcelo ainda não poderia partilhar esses momentos com ela, mas enviou Flor para que lhe fizesse companhia. No início da tarde, logo depois do almoço, Gisele deitou-se para um cochilo, colocando Flor ao seu lado na cama. Em pouco tempo adormeceu.

 

ººº

 

Agarrada ao pescoço daquele que aos olhos dos adultos, seria uma enorme e perigosa fera, Gisele sentia o rosto ser acariciado pelo vento frio que vinha das montanhas brancas ao seu redor. Ela e seu dragão da sorte voavam sem destino certo e nem hora para voltar. O que mais lhe aprazia eram os véus descobertos no céu e a sensação de liberdade e desligamento do mundo real. Naquele momento ela não era Gisele, não era humana, não era adulta... Era simplesmente ela.

 

ººº

 

Acordou assustada, pois teve a sensação de que estava caindo. Sorriu ao perceber que foi apenas um pequeno sonho. Esticou o braço direito para abraçar Flor, mas não a encontrou. Ainda com um pouco de sono, pensou na possibilidade de Flor ter caído no chão, mas a sua preguiça foi maior que a curiosidade. Virou-se para o outro lado e dormiu profundamente. Mais tarde ao se levantar, passou pela sua estante de livros e viu a boneca de pano sentada em uma das prateleiras.

— Mamãe deve ter colocado você aí, não é? Me desculpe por ter derrubado você no chão. Ainda não estou acostumada a dormir com ninguém. — Conversou com a boneca, e saiu para tomar um café.

Retornando ao quarto, Gisele reparou que Flor estava encostada justamente ao lado do livro História Sem Fim, um de seus preferidos. Lembrou-se do sonho, cujas cenas se assemelhavam muito às vividas pelo personagem principal daquela história. Riu da coincidência e pegou Flor, levando-a para perto do computador. Queria contar ao mundo que tinha ganhado quatro livros e uma boneca.

Naquela noite, apesar do frio, Gisele dormiu apenas de camiseta. Uma velha camiseta com a estampa do Ozzy Osbourne, sem mangas e bem surrada. Adorava dormir assim, mais confortável. Antes de fechar os olhos, olhou para Flor, que ainda estava ao lado do computador e sorriu, lembrando-se de Marcelo. Apagou a luz e em pouco tempo já estava visitando o mundo dos sonhos.
 
 
ººº

 

— Quero que veja isso...
— O que é?
— Por favor, veja... Preciso de mais dinheiro. Quanto pode me dar por isso?
— Você já me deve bastante, menina. Não posso lhe dar mais nada... Mas que diabos! Como isso está amarrado...

Gisele aproveitou-se da distração da velha muquirana, retirou o machado escondido sob o casaco, erguendo-o até a altura da cabeça. A velha não teve tempo de reagir. O machado partiu-lhe o crânio e o corpo raquítico desabou no chão. Por alguns segundos Gisele tentou se arrepender do que fez, mas não houve remorso. Era apenas uma velha que se aproveitava da desgraça alheia. Precisava encontrar o dinheiro e ir embora. Mas antes que terminasse sua busca pelo quarto, um som lhe chamou a atenção, vindo da sala... Uma testemunha. A irmã da vítima. Gisele dessa vez agiu pelo simples instinto de proteção. Não tinha nada contra aquela mulher, mas não havia escolha. E o machado novamente tirou uma vida.

Fugiu de um flagrante, se escondeu e correu... Mas não conseguiu escapar de sua própria consciência. Passou semanas sofrendo. Ficou doente e à beira da loucura. O remorso demorou, mas veio. E ela finalmente se entregou.

 

ººº

 

Gisele acordou ao meio-dia, tremendo de frio, com o corpo doendo e sentindo um cansaço muito grande. Teve febre e sua mãe teve até mesmo que lhe comprar alguns remédios. E somente lá pelas quatro horas da tarde é que Gisele reparou que Flor estava novamente na estante e não na mesa do computador, onde se lembrava perfeitamente de tê-la deixado. Lentamente se levantou da cama e tirou Flor da frente de um dos livros, arregalando os olhos e balbuciando...   Crime e castigo... Não pode ser...

Durante os dias que se seguiram, a história era quase sempre a mesma. Gisele sonhava com algo que já tinha lido nos livros e acordava fatigada, por vezes, sofrendo alguns males da mente e do corpo... Parecia realmente viver aquelas cenas. Aventuras, fugas, assassinatos... E em todas as vezes, Flor estava deitada ao lado do livro que continha a história vivida em seu sonho.

No dia do seu aniversário, Gisele pegou Flor nas mãos e a encarou. Tinha algo de diferente naquele sorrisinho desenhado e nos olhinhos sempre alegres daquela boneca. Depois ao almoço, Gisele deitou-se... Novamente pegou Flor e a colocou ao seu lado na cama... E pediu-lhe...

— Flor, se você tem mesmo esse poder de me levar para dentro dos livros, me dê de presente uma nova história. Faça uma história para mim. Me deixe viver em outros mundos. Não quero mais ficar aqui...Mas, Flor... Quero encontrar o meu amigo Marcelo nessa história. Você faria isso por mim?

Obviamente sua resposta foi o silêncio. Gisele riu de si mesma.

— Que bobagem, meu Deus! Acho que eu tenho é que parar de ler... Isso sim. E vou dormir um pouco, porque ganho mais.

Num gesto de displicência, Gisele deixou Flor caída entre a cama e o criado-mudo, puxou a coberta e mergulhou num sono quase imediato. Enquanto dormia, alguns livros caíram da estante. Ou melhor, eram jogados no chão. Flor escalava cada prateleira, escolhia os livros e os derrubava. Os olhinhos ainda alegres e o sorriso desenhado em seu rosto de pano orquestravam uma nova história. A mistura de alguns dos livros preferidos de Gisele, com outros que ela sequer havia lido. Depois de selecionar todos que desejava, Flor saltou do alto da prateleira mais alta, sobre a pilha de livros no chão. De suas mãozinhas macias surgiram pétalas de rosas vermelhas, feitas de pano, que cobriram todos os volumes espalhados, enchendo o quarto com um perfume agradável. Na cama, Gisele remexia seus olhos, sob as pálpebras fechadas. Um pequeno sorriso surgia em seu rosto...

 

ººº

 

O Sol dava seus primeiros passos no dia e a família já estava reunida na plantação de morangos. A mãe entoava uma canção para alegrar a todos, enquanto os mais jovens brincavam próximos à estrada. Gisele colhia os frutos, embalada pela voz de sua mãe e  por um vento ainda frio balançando seus cabelos. Um dos frutos caiu no chão e ela se abaixou para pegá-lo. Foi quando a viu... Uma fadinha de asas cor de lilás e olhos de um azul tão intenso que chegavam a incomodar.
— Não tenha medo, menina.

Gisele não parecia assustada. Sempre acreditou que fadas realmente existiam e esperava um dia poder encontrá-las. Ela apenas olhou ao redor para ver onde estava sua mãe e voltou-se para a fada.
— Não tenho medo de você fadinha. — E sorriu com seu doce encanto de menina.
— Não, criança. Não me referi a mim. Um estranho aparecerá e pedirá que você o acompanhe. Não tenha medo. Siga-o, pois o seu destino está na missão que lhe chegará através dele.
— Missão? Mas, fadinha... Sou apenas uma menina e minh...
— Não se preocupe com sua família. Eles compreenderão tudo. E sim, você é apenas uma menina. E por isso mesmo você foi escolhida. Não tenha medo. Faça o que seu coração disser para fazer. Estará protegida por todos nós... — disse isso, apontando para a moita atrás de Gisele. De lá, alguns pequenos seres, entre duendes e fadas acenavam sorridentes. Gisele não esperava ver tantos seres mágicos reunidos e acabou se desequilibrando. Os frutos rolaram pelo chão e ela se apressou em pegá-los antes que sua mãe percebesse. Quando voltou seu olhar para onde estava a fada, não a encontrou mais. Também não estavam lá as pequenas criaturas. Mas ela sequer pensou que poderia estar ficando louca. Sentiu em seu coração, que aquilo era real. Mas eu seu peito de menina, agora um ritmo acelerado dos batimentos denunciava um pequeno receio em relação a essa suposta missão que teria que cumprir.

 

ººº

 

No quarto, alguns livros começaram a desaparecer da estante. Flor estava de pé, aos pés da cama, observando o sono tranquilo da jovem sonhadora.

ººº

 

A menina de 13 anos não conseguiu dormir naquela noite. Desde que recebera o recado da fada, ficava imaginando como seria o tal estranho, o que aconteceria daquele dia em diante, que missão era aquela em que uma criança era a responsável por seu cumprimento?

O dia nasceu e ao contrário de todos os outros, em que sua mãe tinha que chamá-la várias vezes até que acordasse, Gisele foi a primeira a chegar na plantação, causando certo espanto no pai, que não esperava por tamanha disposição da pequena. Ele lhe sorriu, pois pensou que poderia ser devido a ansiedade da menina. Era seu aniversário e ela queria receber seu presente. Mas isso aconteceria apenas mais tarde, se fossem seguidos os planos do pai. Mas... Eles não poderiam ser seguidos...

Quando os afazeres na plantação estavam quase terminando, pouco depois da hora do almoço, uma grande sombra negra cobriu o corpo de Gisele, que amarrava alguns fardos de feno para levar ao celeiro. Ergueu os olhos e viu diante dela um enorme cavalo negro. Refeita do susto inicial, reparou melhor na figura parada diante dela. Um cavaleiro com uma armadura prateada, um pouco coberta por poeira, mas ainda assim tão imponente quanto deveria ser. O cavalo tinha crinas muito compridas, que terminavam em tranças jogadas pelo pescoço. A voz veio de dentro daquele elmo completamente fechado, cuja abertura era suficiente apenas para que o cavaleiro pudesse enxergar.
— Você é Gisele de Borgée?

Antes que ela pudesse responder, sua mãe já estava ao seu lado, abraçando-a e interpelando o homem sobre o cavalo.
— O que quer com minha menina?
— Não tema, minha senhora. Estou em paz nessas terras. — Tirou o elmo, e percebeu a aproximação do pai, que já havia encarregado a filha mais velha de levar os pequenos para dentro de casa. — Sou um cavaleiro da nossa rainha, meu senhor — disse, olhando para o pai, que correu os olhos pela manta do cavalo, confirmando o que dizia o homem. O brasão roxo e dourado era inconfundível. Era mesmo um cavaleiro da Rainha.
— E o que deseja da nossa humilde família, meu nobre cavaleiro?

Sem responder de imediato, o cavaleiro voltou-se para trás e pegou dentro de sua bolsa de couro, um punhado de pano. Estendeu-as para Gisele e pediu:
— Menina, por favor, segure essas flores.
— São apenas panos velhos, meu senhor. — interveio a mãe de Gisele, enquanto o cavaleiro fixava seu olhar nos olhos da menina, como se pedisse em silêncio que ignorasse as palavras de sua mãe.

Ao tocar nas flores de pano, a menina sentiu um calafrio e em seguida, viu diante de seus olhos a transformação. Lindas flores vermelhas surgiram diante de todos, no lugar das flores de pano.

— Deus seja louvado! — bradou o cavaleiro — Homens! Venham... É ela! Ela é a nossa última criança!
A mãe de Gisele novamente a abraçou, e questionou o cavaleiro.
— De que está falando? Sua criança? Você não vai levar minha menina, sem ter que tirar a minha vida!
— Acalme-se, senhora! Não estamos aqui para fazer nenhum mal a essa menina. — ele então desceu do cavalo e aproximou-se da mãe e do pai, que já estava ao lado do cavalo negro. — Nossa Rainha precisa da ajuda de sua filha.
— Está louco?! Ela é só uma menina!
— É uma menina especial, minha senhora. Viu o que aconteceu com essas flores?
— Isso é bruxaria! Saia daqui!
— Não posso sair sem a menina. Entenda... Se eu puder explicar tudo, tenho certeza de que compreenderá e poderemos seguir nosso caminho em paz. Caso contrário... com muito pesar, serei obrigado a levar a menina a força e prender vocês. Por favor... Me escutem.

O pai de Gisele deu um passo a frente e segurou no ombro da esposa. Trocaram olhares e em seguida pediu ao cavaleiro que esclarecesse tudo. Por cerca de dez minutos, o homem tentou resumir o que acontecia no reino, e que era omitido a toda população. O Rei não estava apenas doente, como diziam as notícias oficiais. Ele era prisioneiro de um feitiço poderoso, que a cada dia lhe roubava uma semana de vida. A situação se arrastava por algumas semanas e se continuasse assim, logo o Rei morreria, pelos cálculos dos conselheiros e do mago da corte. Porém, a rainha teve uma visão logo na segunda semana em que o mal tomou conta do castelo. Sete crianças especiais partiam cercadas por soldados e cavaleiros, em direção ao reino mágico de Oberon, onde viviam os mais antigos magos da Terra. No templo principal, as sete crianças, de mãos dadas, formavam um círculo de luz, amparadas pelos sete anciãos de Oberon. Do centro desse círculo de luz, saíram pétalas de rosas e uma pedra Ametista que brilhava quando erguida pelas pequenas mãos da sétima criança. Uma menina de olhos azuis, pele branquinha e sorriso doce.

Através do mago da corte, as seis primeiras crianças foram encontradas facilmente. Alguma coisa bloqueava a visão da sétima criança. O velho mago não conseguia ver em sua bacia premonitória o local onde vivia a menina. Mas pode ver seu rosto e mostrou-o ao cavaleiro. Depois de quinze dias e noites perguntando aqui e ali, descrevendo com detalhes o rosto da menina, chegaram até a Vila de Pinhais e lá conseguiram uma resposta positiva. O frade Ormond, com a boca cheia e sem parar de comer seu apetitoso frango assado, indicou a localização das terras do pai de Gisele.
 
 
ººº
 
Quase todos os livros já não estavam mais nas prateleiras. As paredes do quarto mudavam de cores. A casa parecia ser refeita. Flor se aproximou de Gisele, que em seu sono profundo não poderia perceber o carinho que a bonequinha lhe fazia no rosto. Os olhinhos desenhados ainda sorriam e ela se deitou ao lado de sua dona.
 
ººº

 

Com lágrimas nos olhos, a mãe de Gisele pediu desculpas ao cavaleiro por ter sido tão rude. O pai da menina entrou na casa, voltando em seguida, com um pacote nas mãos.
— Tome, minha filha. É seu presente de aniversário. Se sentir medo pelo caminho, peça ao nobre cavaleiro para contar essas histórias.
— Um livro, papai? — os olhinhos azuis brilharam ainda mais.
— Sim, minha querida. Quer dizer... Não é bem um livro. Eu mesmo o confeccionei, fiz alguns desenhos e... Tentei escrever algumas palavras. Peça ao...  — fez uma pausa, olhando para o homem, visivelmente emocionado com a cena.
— Athos, senhor. Sir Athos, cavaleiro da guarda pessoal da Rainha, ao seu dispor. E este... — fez sinal para um rapaz de cerca de 29 anos, que se aproximou rapidamente — Este é Marcel, meu cavalariço. Homem de minha inteira confiança. Ele cuidará pessoalmente de Gisele e poderá interpretar seus desenhos e narrar as histórias do seu livro, além de contar-lhe tantas outras que ele conhece.

O velho pai sorriu agradecido, meneou a cabeça e continuou, olhando para a filha:
— Então peça a Marcel, para que faça isso sempre que sentir medo ou saudade de todos nós. O desenhos não são bons, mas acho que podem se transformar em histórias muito bonitas, como as que você sempre gostou que eu lhe contasse quando era pequena.
— E tem mais... — completou Athos. — Você terá um novo amiguinho. — Fez um sinal para um dos homens que aguardavam na curva da estrada. Este assobiou para um terceiro e em poucos segundos, um ruflar de asas foi ouvido. A sombra cobriu a casa e um lindo dragão negro, de olhos verde esmeralda, pousou na entrada da casa.

Depois do burburinho e o medo iniciais, todos da família, convencidos pelo cavaleiro, de que era seguro, foram conhecer a criatura de perto. Quando Gisele se aproximou, o dragão abaixou sua cabeça e ofereceu o dorso.
— Ainda não amiguinho! Ela precisa ser treinada para isso. Muito em breve vocês  poderão se conhecer melhor. — Disse Athos, com um sorriso estampado no rosto.

Gisele sorriu um pouco nervosa. Ainda assustada pela ideia de ir embora sem sua família, e agora diante daquele enorme dragão, pensou em sair correndo. Mas então se lembrou do recado da fadinha no dia anterior: Não tenha medo! Siga-o...

Ela sorriu seu mais lindo sorriso de menina, abraçou o pai e disse que voltaria em breve para que pudessem criar muitas outras histórias.

O Sol começava a se pôr, quando a linda menina de cabelos pretos, olhos azuis e doce sorriso, acenou pela última vez, antes de abraçar Marcel evitando cair da garupa de seu cavalo. A aventura de Gisele seria vivida por alguns meses. Visitaria lugares incríveis, dos mais lindos aos mais apavorantes. A caravana enfrentaria perigos, perderia alguns homens em combates com criaturas mágicas, mas também arrastaria pelo caminho, pessoas de bom coração que se encantariam com a doçura de Gisele e das outras seis crianças. Ela ganharia até mesmo um segundo bichinho de estimação. Um ser estranho, de corpo de gato, cabeça de cachorro e rabo de pássaro. Olhos grandes e dentes afiados. E de Marcel, ela receberia seu presente mais querido. Uma bonequinha de pano, com vestido de flores na cor lilás. Mas os detalhes dessa aventura já dariam para contar uma outra história...
 
 
ººº
 
E o quarto não era mais o mesmo. Na cama, um adolescente rebelde ensaiava seus primeiros sons na guitarra. Não havia mais Gisele, nem livros e nem fantasias escritas.




 

Textos - Contos e Prosas

Leitores Online

Nós temos 1 visitante online