Tábuas e Potes de Vidro

“I Never Dreamed” do “Black Label Society” toca agora...
O tempo nublado e ao mesmo tempo abafado remexe minha memória e sinto os pulsos cortados. O sangue escorria de meus braços naquela noite em que resolvi deixar que o amor, sentimento altamente destrutivo, morresse dentro de meus poros. As noites de depravação e tortura que se seguiram então são hoje pinturas abstratas escorrendo tinta pelas paredes do meu ego. As vitimas que fiz, ou melhor que tomei para mim, foram as mais belas insanidades de tons rubros. Meu estranho ritual de abrir as ataduras e fazer correr novamente meu sangue sobre os cadáveres era a sensação mais próxima que eu tinha em relação a prazer...
“Fire it up”... ainda “Black Label Society”... Essas guitarras mais roucas e pesadas me lembram o êxtase com que eu arrancava os corações e olhos daquelas pessoas. Sem olhos para se encantarem pelo físico e sem o coração para sentir aquela maldita palpitação que nos faz tremer o corpo quando achamos que encontramos a pessoa certa, não haveria mais amor. Sem amor eles não se destruiriam. Sei que isso parece contraditório, mas eu os libertei de um erro. O maior de todos...
A mistura ficou até interessante em minhas estantes. Olhos azuis, verdes, castanhos e até vermelhos (obviamente com lentes coloridas que não quis tirar) – jovenzinhos metidos a vampirinhos da moda. Os corações estão etiquetados com os nomes das pessoas por quem se apaixonaram. Procuro organizá-los em ordem alfabética, pois sempre fui muito chata com essas coisas. Mas não tenho identificação para os olhos. Não sei porque, mas nunca quis. Talvez porque tenho medo de me apaixonar. Talvez porque eu prefira vê-los apenas como pequenas bolinhas coloridas.
Tive que parar por um tempo. A polícia chegou perto de me capturar quando comecei a usar a internet para marcar encontros virtuais. Mas tenho sede. Tenho fome. Me falta prazer e preciso voltar às ruas. As pessoas precisam de salvação. Não usarei mais a internet. Enviei alguns currículos e fui aprovada em alguns lugares. Começarei por uma conceituada empresa que oferece preparativos para o mais feliz dia da vida de dois pombinhos apaixonados. Terei em minhas mãos todos os dados necessários. Endereços, horários de ensaios... “Suicide Messiah”, acho que não preciso mais falar sobre a banda.
Agora preciso ir. Tenho que comprar mais tábuas para novas estantes e bonitos potes de vidro que vi numa feirinha de artesanato. Logo minha coleção aumentará e ainda preciso dar um jeito de roubar mais éter do hospital de meu pai...
“Rasteje através das chamas que comem sua carne. Afogado nas águas que conhecem você melhor. Pode entrar eu tenho esperado por você aqui. Nos seus joelhos, onde você deve rastejar. Voando tão alto você nunca vai cair. Pode entrar nos esperávamos você aqui. Curve-se, você fez sua escolha. Ele nunca da, ele sempre pega. A queima elétrica que alimenta o fogo. É apenas seu messias suicida...” (Black label society)
O tempo nublado e ao mesmo tempo abafado remexe minha memória e sinto os pulsos cortados. O sangue escorria de meus braços naquela noite em que resolvi deixar que o amor, sentimento altamente destrutivo, morresse dentro de meus poros. As noites de depravação e tortura que se seguiram então são hoje pinturas abstratas escorrendo tinta pelas paredes do meu ego. As vitimas que fiz, ou melhor que tomei para mim, foram as mais belas insanidades de tons rubros. Meu estranho ritual de abrir as ataduras e fazer correr novamente meu sangue sobre os cadáveres era a sensação mais próxima que eu tinha em relação a prazer...
“Fire it up”... ainda “Black Label Society”... Essas guitarras mais roucas e pesadas me lembram o êxtase com que eu arrancava os corações e olhos daquelas pessoas. Sem olhos para se encantarem pelo físico e sem o coração para sentir aquela maldita palpitação que nos faz tremer o corpo quando achamos que encontramos a pessoa certa, não haveria mais amor. Sem amor eles não se destruiriam. Sei que isso parece contraditório, mas eu os libertei de um erro. O maior de todos...
A mistura ficou até interessante em minhas estantes. Olhos azuis, verdes, castanhos e até vermelhos (obviamente com lentes coloridas que não quis tirar) – jovenzinhos metidos a vampirinhos da moda. Os corações estão etiquetados com os nomes das pessoas por quem se apaixonaram. Procuro organizá-los em ordem alfabética, pois sempre fui muito chata com essas coisas. Mas não tenho identificação para os olhos. Não sei porque, mas nunca quis. Talvez porque tenho medo de me apaixonar. Talvez porque eu prefira vê-los apenas como pequenas bolinhas coloridas.
Tive que parar por um tempo. A polícia chegou perto de me capturar quando comecei a usar a internet para marcar encontros virtuais. Mas tenho sede. Tenho fome. Me falta prazer e preciso voltar às ruas. As pessoas precisam de salvação. Não usarei mais a internet. Enviei alguns currículos e fui aprovada em alguns lugares. Começarei por uma conceituada empresa que oferece preparativos para o mais feliz dia da vida de dois pombinhos apaixonados. Terei em minhas mãos todos os dados necessários. Endereços, horários de ensaios... “Suicide Messiah”, acho que não preciso mais falar sobre a banda.
Agora preciso ir. Tenho que comprar mais tábuas para novas estantes e bonitos potes de vidro que vi numa feirinha de artesanato. Logo minha coleção aumentará e ainda preciso dar um jeito de roubar mais éter do hospital de meu pai...
“Rasteje através das chamas que comem sua carne. Afogado nas águas que conhecem você melhor. Pode entrar eu tenho esperado por você aqui. Nos seus joelhos, onde você deve rastejar. Voando tão alto você nunca vai cair. Pode entrar nos esperávamos você aqui. Curve-se, você fez sua escolha. Ele nunca da, ele sempre pega. A queima elétrica que alimenta o fogo. É apenas seu messias suicida...” (Black label society)
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