Prognóstico
Saiu do consultório médico desolado. Alguns exames teriam que ser repetidos, mas o prognóstico médico não era muito condizente com a tal esperança. Com certa dor no peito, de ver um rapaz tão jovem com os dias contados, o “doutor” lhe deu apenas alguns meses de vida. Ele que nunca ganhara nada em sorteios, rifas ou loterias, ganhou um lugar entre os raros casos daquela doença terrível. Um caso em cada milhão de pessoas. Atravessou a avenida, pegou sua moto que tinha comprado há apenas uma semana. Um dos sonhos de um jovem de 18 anos. Apenas um de uma lista enorme que a juventude necessita.
Não tinha forças para chorar. Concentrava toda sua energia na torcida para que fosse um erro do laboratório. Uma troca de nomes, um erro grosseiro de interpretação do médico. Fosse o que fosse ele nem pensava em processar ninguém. Só queria viver. Começar a viver.
No caminho de casa tomou todo cuidado possível, pois ainda não acreditava que aquilo poderia estar acontecendo com ele. Não queria morrer no trânsito e nem em lugar algum. Não agora. Pensou na carreira que queria seguir, na namorada de adolescência que sempre amou e que jurou fidelidade para sempre...
Mas ao mesmo tempo pensamentos contrários lhe inundavam a mente. E se fosse realmente verdade? O que faria? O que viveria nos últimos meses de sua vida? Viagens, festas, sexo, infidelidade, curtição... O celular toca.
Parou no acostamento do anel rodoviário. Era o “doutor”. Desesperado e eufórico ao mesmo tempo, o médico lhe dizia: - “Foi um lamentável engano meu jovem! O encarregado do laboratório acabou de me ligar. Houve uma tro...”
Ops! Hummmm...
Ah... Carretas! Carretas carregadas e desgovernadas não conseguem parar tão facilmente.
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