Qui Março 11 , 2010
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Entrevista para Projeto C.O.V.A.

Entrevistas

Entrevista cedida no dia 02 de janeiro de 2010 para a Quimera, do Projeto C.O.V.A.

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" O Projeto COVA pergunta a M. D. Amado:"

 

1. O que te motivou a tornar-te escritor?


M.D.Amado: Foi meio sem querer mesmo. Comecei de brincadeira, escrevendo um conto no Estronho. Eu já publicava contos de um pessoal já conhecido (Richard Diegues, Camila Fernandes, Gian Celli, Rita Maria Félix e outros). De brincadeira resolvi escrever um conto e esses autores gostaram e me incentivaram a continuar. Fiquei um tempo sem escrever nada (um ano ou mais) e depois voltei e não parei mais (risos).

2. Qual a maior dificuldade encontrada na hora de escolher ou desenvolver uma história?

M.D.Amado: Sei lá... O momento certo talvez. Geralmente escrevo no ímpeto. Deu vontade, sento e escrevo, sem saber o que vai sair. Mas para participar das antologias é diferente. Você tem um tema, um limite de caracteres e uma linha pré-determinada. Nesse caso, a dificuldade está mesmo em achar o momento certo pra escrever. É raro eu terminar um conto pra antologia num outro dia. Acontece, mas é raro. Gosto de escrever tudo de uma vez só.

3. Tendo em vista o ( des ) interesse do Governo em apoiar artistas e escritores nacionais, como você definiria o avanço do conhecimento e da leitura no Brasil?

M.D.Amado: Muito lento, com certeza. Não sei nem se pode-se dizer que existe um avanço por parte do governo. Já da parte dos autores de literatura fantástica (exceto algumas estrelinhas que se acham "o escritor") tenho visto um aumento no interesse de divulgação das obras dos colegas. Isso é muito bacana, pois você leva aos seus leitores, outras fontes de talento, que por falta de propaganda passam despercebidos por aqueles que te acompanham. É o que tento fazer no Estronho, por exemplo.

4. Qual o futuro do livro, numa sociedade carente como a nossa, para adquiri-lo e diante de novas formas de distribuição ( como a Internet )?

M.D.Amado: Se as editoras não mudarem a mentalidade e as distribuidoras não baixarem a bola, não vejo como as coisas melhorarem. Muito pelo contrário. E a questão é realmente preço. Quando você coloca livros baratos nos supermercados, por exemplo, as pessoas tem interesse. Tudo bem, o brasileiro tem fama de não gostar de ler nem manual de aparelho eletrônico, mas se você disponibilizar a um custo menor, com certeza as pessoas vão procurar. Quanto a internet, é um grande meio de divulgação sim. Eu mesmo lancei o ebook Empadas e Mortes e tive um retorno bem legal. Novos leitores apareceram e a divulgação boca a boca tem sido positiva. Mas nem todo mundo gosta de ler no computador (eu mesmo sou um que nao curte muito). De qualquer forma, seria interessante outros autores lançando pequenas obras assim também.

5. Qual ou quais medidas governamentais poderiam minimizar a falta de acesso aos livros e o descaso para com escritores nacionais?

M.D.Amado: Não tenho conhecimento suficiente para entrar a fundo nesse assunto, mas acho que falta um incentivo maior a editoras (embora existam linhas de financiamento para isso) e talvez uma campanha nacional de incentivo a leitura e principalmente incentivando autores nacionais. O preconceito ainda existe e é notório. Temos que engolir o sucesso de um Crepúsculo e coisas do gênero (sem querer desmerecer a obra), sendo que temos autores nacionais com talento e criatividade para fazer coisas muito melhores. E as pessoas parecem duvidar disso. Tenho um exemplo disso. Emprestei para uma amiga que adora vampiros, duas antologias nacionais de vampiros. Ela disse que ia ler depois que terminasse de ler Crepúsculo. Tudo bem... Ela já terminou e depois pegou os outros livros da série e leu mais um internacional. E até agora os nacionais sequer foram abertos.

 

Link para a entrevista no Projeto C.O.V.A. : http://projetocova.ning.com/group/cinmadiveros/forum/topics/literatos-nacionais  (é preciso se cadastrar para ter acesso)