Último Suspiro
* Parceria de Luciana Fátima e M. D. Amado
A argêntea luz do luar espalhava-se pelo lago escuro. O barulho da cidade parecia não penetrar ali. Havia uma espécie de barreira criada pelo pedaço de natureza para proteger o interior daquele recanto.
Para quem observasse a cena, poderia parecer um sonho, um devaneio onírico, ou a simples paisagem de um filme de suspense. O ruflar de asas rompeu o silêncio por um instante. A coruja voou de seu esconderijo para a noite vazia. Após um momento de intensa quietude, algo inusitado começou a acontecer no lago.
As águas, antes calmas, deixaram de espelhar a imensidão do céu estrelado. De um lugar indeterminado, algumas bolhas surgiram e, em pouco tempo, o lago todo estava em ebulição. Quando o estranho fenômeno acalmou, lentamente, uma figura feminina emergiu.
Os longos cabelos encharcados cobriam-lhe as costas, alcançando os quadris. A nudez coberta pela água do lago era banhada pelos raios do luar. As gotas escorriam pelo seu corpo e morriam na grama. Os pés pisavam delicadamente a grama. Era uma visão fantástica e inesperada...
Em tempos de pestes avassaladoras e batalhas inúteis e sangrentas, as pessoas se acostumaram com imagens terríveis, barbáries e o cheiro de podre ou de carne queimada invadindo suas narinas. E ao ver diante de seus olhos aquela imagem quase sagrada, embora com nuances de profanação, os moradores daquela vila se transformaram em estátuas de carne, por alguns segundos. Não era apenas a beleza daquele corpo feminino. Não era somente o desejo sexual aflorando nos homens e até mesmo em algumas mulheres. Talvez fosse a calma no andar, ou a doce fragrância que pairava no ar.
Os olhos negros declamavam poesias mudas. Vistos por alguns com brilhos intensos no olhar, e por outros com o opaco das trevas abissais. Estes últimos sucumbiam a cada um dos passos elegantemente dados por ela. Caiam mortos, de olhos abertos e o corpo agora leve, sem o peso de seus espíritos pecadores.
Ela veio buscá-los... A todos eles. A alguns fora concedido o privilégio de se apaixonarem por ela, antes da partida. Um último sorriso foi desenhado nos rostos daqueles miseráveis.
Para quem observasse a cena, poderia parecer um sonho, um devaneio onírico, ou a simples paisagem de um filme de suspense. O ruflar de asas rompeu o silêncio por um instante. A coruja voou de seu esconderijo para a noite vazia. Após um momento de intensa quietude, algo inusitado começou a acontecer no lago.
As águas, antes calmas, deixaram de espelhar a imensidão do céu estrelado. De um lugar indeterminado, algumas bolhas surgiram e, em pouco tempo, o lago todo estava em ebulição. Quando o estranho fenômeno acalmou, lentamente, uma figura feminina emergiu.
Os longos cabelos encharcados cobriam-lhe as costas, alcançando os quadris. A nudez coberta pela água do lago era banhada pelos raios do luar. As gotas escorriam pelo seu corpo e morriam na grama. Os pés pisavam delicadamente a grama. Era uma visão fantástica e inesperada...
Em tempos de pestes avassaladoras e batalhas inúteis e sangrentas, as pessoas se acostumaram com imagens terríveis, barbáries e o cheiro de podre ou de carne queimada invadindo suas narinas. E ao ver diante de seus olhos aquela imagem quase sagrada, embora com nuances de profanação, os moradores daquela vila se transformaram em estátuas de carne, por alguns segundos. Não era apenas a beleza daquele corpo feminino. Não era somente o desejo sexual aflorando nos homens e até mesmo em algumas mulheres. Talvez fosse a calma no andar, ou a doce fragrância que pairava no ar.
Os olhos negros declamavam poesias mudas. Vistos por alguns com brilhos intensos no olhar, e por outros com o opaco das trevas abissais. Estes últimos sucumbiam a cada um dos passos elegantemente dados por ela. Caiam mortos, de olhos abertos e o corpo agora leve, sem o peso de seus espíritos pecadores.
Ela veio buscá-los... A todos eles. A alguns fora concedido o privilégio de se apaixonarem por ela, antes da partida. Um último sorriso foi desenhado nos rostos daqueles miseráveis.
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